Wednesday, 19 September 2012

That silly little poem that all poets write once

I love to see you sleep
the soft dream before you wake
and you open your windows
in the same everyday calm
and tell me that it was because I was looking
there, inside your eyes
that they couldn't remain so
tightly closed

and here I stand just staring
you and all your butterflies in my lungs
and my blushing face
because they tickle
while I wait for your hands of broken
fingers
who still pointing the same hedding
inside of some Whitman's book
or to a milkshake
in a poem
in a movie

and I should've wrote this poem
using future
but I don't mind thinking that
it could be
today.

Tuesday, 18 September 2012

Sobre manter as mãos limpas durante as filmagens

Estávamos ali em uma ordem pouco organizada, porém cheia de detalhes. Éramos os travesseiros, as sempre desarrumadas cobertas, dois corpos, os filmes e a alteração de lugar frequente de tudo. Além disso, havia sorrisos espalhados pelo chão do quarto e pela cama e faziam cócegas. Poucas horas antes eu também diria que havia um disco de vinil do The Doors (que era algo que eu gostava, embora ele achasse o som péssimo e preferisse os Cd's ou o arquivo digital) e um segredo que só ele sabe perambulando pelo quarto.
Uma das minhas cenas favoritas do comecinho d'Os Incompreendidos foi interrompida pelo som dolorido da porta que era arranhada pelo cachorro que fez questão de começar a chorar porque sabe que eu morro de pena. E ele levanta da cama e deixa o cachorro entrar enquanto eu reclamo com os olhos porque ele saiu do lugar para fazê-lo aquietar-se. Mas ele não tarda a fechar a porta e voltar pra cama. As borboletas nos meus pulmões vibravam (sim, nos pulmões, por isso eu suspirava) e eu me confundia quando tentava lembrar se eram elas ou eu quem tinha asas.
Meus olhos sempre se fechavam ao encontrar os beijos dele sobre minha pele. Ele sempre voltava com beijos. Ao abrir de novo os olhos e achar o sorriso dele perto do meu, perguntei se ele havia lavado as mãos e ele torna a sair da cama, dessa vez com o sorriso no canto dos lábios e as mãos erguidas. Anda de costas em direção ao banheiro e eu me encolho entre os travesseiros. Quando volta, eu sei que olha novamente para a camisa favorita dele no meu corpo e eu sorrio só por saber que posso usá-la.
Ajeitamo-nos aninhados como sempre para acabar o filme e eu, não sei como, adormeci (de vez em quando, ele fingia dormir durante filmes e eu o acordava com beijinhos de esquimó). Quando acordei, disse a ele que estava com sede, esperando que ele tivesse lido um dos muitos bilhetinhos que eu deixo sempre pela casa, lembrando que ele deveria comprar água.
Insisto que ele pode ir comprar pela manhã, que não precisava ir àquela hora, mas ele diz que quer ir comprar e eu bem conheço aqueles olhos por trás dos óculos me dizendo que ele vai de qualquer jeito, então era melhor dizer logo o lugar onde ele deveria ir. Eu continuei relutando para que ele não fosse, mas lá se foi ele com os cabelos desarrumados pelas minhas mãos inquietas e o nariz ainda meio colado no meu, vestindo uma outra camisa que estava jogada no chão. Ouço o cachorro acompanhá-lo da sala e levanto da cama assim que escuto a porta fechar. Debruçar-me pela janela pra observar os seus passos distraídos... eu gostava de fazer isso. O cachorro o acompanhava de perto e mesmo que fosse meu, certamente gostava mais dele. E acredito que Ernesto, o meu gato, também goste mais dele do que de mim. Minha sede passa ou vira saudade imediata, não sei bem. Só me esqueço dela.
Sempre me confundo com tempos verbais, ele sabe disso. É que é como um filme, tudo. Um filme de Cinema Moderno, sem linearidade, sem heróis, sem aqueles conflitos cheios de armas e ferimentos e um cara que do nada se transforma em um Bruce Willis pra salvar o mundo. Não sobrava muito de importante do mundo além dos poucos metros quadrados e uns litros de água, aliás. Era tudo o que eu precisava salvar e eu sempre senti que talvez pra isso, meu interior fosse um herói de ação.
É fácil rir com essa idéia. Na verdade, eu sempre rio de tudo e ele ri porque eu sempre rio de tudo. E rindo, eu pego um bocadinho de post-its amarelos para escrever mais bilhetes pra quando ele voltar. Como eles estão acabando, peço em uma das notas, pra ele comprar mais alguns e faço desenhos e um bilhete com sorrisos bobos porque ele não precisava ter ido comprar água.
É um filme moderno e muito bem musicado. E que bonitas que ficam as coisas corriqueiras quando um diretor sabe aproveitar bem os planos e os cortes e os diálogos que não acrescentam nada a narrativa, mas mil pontos de interrogação na cabeça de quem está assistindo.
Interrogações ou reticências.
Espalhei três pontos pela casa e fui esperá-lo do lado de fora (como a minha noção de tempo sempre se afeta pelos cortes eu nunca sei se passaram dois minutos ou duas horas - mas passam sempre em números pares). Ele chegou com aqueles olhos por trás dos óculos que diziam confusões e se doíam e ele passa com a água e o cachorro. Eu torno a me deitar na cama e espero que ele chegue ao quarto pra encontrar os mesmo sorrisos espalhados e as mesmas borboletas, mas a cena do filme na tevê já não é a mesma.
Ele se desculpa pelo mofo no canto das paredes e eu invento uma história qualquer pra justificá-los. Ele não ouve até o final e vai ao banheiro. Mordo os lábios, pedindo pra ele reparar nos novos bilhetinhos.
E a cena continua num plano-sequência. Ele volta com as mãos erguidas e me beija o corpo e eu fecho os olhos. Quando os nossos sorrisos estão bem próximos, eu pergunto se ele lavou as mãos.

Saturday, 15 September 2012

Parábola

quem mente amor
se mente
e não floresce.

Sunday, 9 September 2012

Descaso com as batatas-fritas

O relógio marcou três e três da manhã e Madalena teve certeza de que permaneceria acordada até mais uma hora, independente de ter terminado ou não o dito trabalho de faculdade. Agarrou-se ao terço para aguentar bem àquela que diziam ser a hora maldita. Ela detestava tanto todos os minutos das três da manhã, que nem reparava nas horas iguais, que normalmente despertavam seu interesse - sabia de cor o que cada uma delas significava.
Rezou duas ave-marias e um pai-nosso, além daquela oração do anjo que as mães costumam ensinar pros filhos pequenos. Ficou apreensiva até dar três e quinze, mas foi terminar o trabalho - sempre com o rosário em mãos.
Às quatro e dois já havia concluído os slides com todas as exigências da ABNT e escovava os dentes encostada na porta do banheiro. Deitou-se logo depois, de barriga pra baixo, pois ouvira em algum lugar que o coisa ruim podia entrar pelo umbigo se ela dormisse de barriga pra cima.
Não tinha Maria na frente do seu segundo nome. Talvez por isso não fosse uma católica tão assídua. Metia de vez em quando o pé na igreja, mas era mais pelo excesso de superstição, que pela devoção em si. Sim, ela carregava sempre o rosário na bolsa. Mas, junto com ele, uma outra pá de amuletos, entre patas de coelho e olhos de boi, para as mais diversas causas. Francamente, sempre acreditou mais em astrologia e nos universos esotéricos do que nos santos. Mas se dispunha a proteger-se de todas as formas. E sempre que conseguia, evitava falar com pessoas de gêmeos, que dizia ser o seu inferno astral (pela minha falta de conhecimento do tema, não sei informar o signo dela).
Odiava gatos pretos e tinha táticas muito boas para desviar de todos. Não saía de casa em sextas-feiras 13 e justificava sua baixa estatura por ter passado embaixo de uma escada quando pequena.
Madalena não gostava de espelhos. Traumatizara-se com Bela Lugosi e seu Drácula que não refletia. Ademais, de supersticiosa que era, evitava ter espelhos para evitar quebrá-los (cá entre nós, acredito que ela tinha mais medo de quebrá-los por não gostar de ver-se repetida em tantos fragmentos, do que exatamente pelos anos de azar).
A despeito de muitos de seus medos, fascinava-se por Frankenstein. Não o do livro que ela nunca lera. Mas pelo Boris Karloff encenando o morto-vivo. Que aos olhos dela era vivo, embora feito de partes mortas. Irritava-se com Ygor, não por ser o assistente de índole duvidosa, mas por ser o Bela Lugosi.
Um dia desses quase morreu atropelada, coitada, tentando desviar das muitas rachaduras no chão. Sorte dela que só quebrou a perna. Curioso: o motorista era geminiano.
Deve ter sido culpa do saleiro que ela havia derrubado, um dia antes, na pastelaria.

Adendo no rodapé

Florbela
espanca a alma
com punhos
de pétala

Thursday, 9 August 2012

Prosa acróstica

No começo do fim de tudo, parece ser apenas nada. O que? Tudo. E a vida segue o fluxo turvo de rio pra quem reluta em se dizer poeta. É tempo de águas agitadas, mas nem a tempestade tem força pra aparecer. E quase na metade do leito desse rio, há uma canoa.
Oscliva quieta na correnteza e carregava o mesmo menino que a escondera no nome durante um percurso esquecido (antes ou depois do rio). E ele também oscilava. Um pouco mais que todo o resto, por sentir-se tão vazio. Quase como se o vento fosse soprar e levar a pele que recobria alguma coisa oca. Mas sentia, apenas. Não sabia ser vazio nem mesmo quando estava e, agora, o nada dos fins fazia latejar o interior de si pra arranjar espaço. Instalou-se e esmagou a alma que já não cabia direito no corpo. Fez doer, porque o órgão mais vital da existência comprimia-se tentando dar a volta no buraco de bordas doloridas no qual ele se via na iminência de cair.
Agoniava-o não conseguir chorar, do mesmo jeito que eu sempre te disse que eu não gosto de segurar choro, porque aí não consigo abrir espaço entre minhas tristezas.
Na verdade, eu sempre vi esse menino como alguém onde eu me enxergava e por isso me afligia vê-lo assim, por me sentir da mesma forma que ele. Meu nome sempre foi neblina demais e era agora como ele via. Não através de mim, mas da mesma forma turva que eu. Que o rio. No fundo era a mesma coisa e nada e, por isso, deixei pra ele dentro de um livro de poesia de folhas secas prensadas, um bilhete que eu já escrevera pra mim: Nada pode virar verbo e remo.

Wednesday, 8 August 2012

Achado no canto da página

É quando a carne tá de
pijama e olheira
que a poesia bate à porta
pra ficar
a noite inteira.

Tuesday, 7 August 2012

Cantiga sem roda

O mundo gira no mesmo lugar
e só continuo
sem ciranda
pedindo pra alma revirar
qualquer pedaço
pra vê se acha o meu nome
(na varanda).