Sunday 27 November 2011

Sobre os solavancos de uma escala.

Acaba de me escapar um pensamento que seria bom ser desenvolvido. Falava em sussurro o nome de um poeta. Seria Kerouac? Agora não lembro, mas a rima quebrada do nome dele desce cheia de cantos pela garganta. Quiçá eu recorde assim que deitar a cabeça no travesseiro, mas aí a preguiça já vai ter tomado as minhas juntas todas e eu não vou dar conta de fazer como ontem a noite, quando fiz questão de levantar para sorrir com Vinícius.
Para onde será que vão essas idéias que se desmancham no nosso pensamento? Será que caem em algum pedacinho de terra e, se a terra for boa, florescem? Será? E no terreno com espinhos, ela conseguiria brotar? Acho que não, decerto faria que nem a parábola mesmo e sufocaria. Mas que droga, eu detesto perder os pedacinhos de musica proseada que me correm à mente volta e meia. Tomara que quem achar os meus papéis não escritos lembre da minha idéia e coloque tinta na pena pra não esquecer mais.
Pensa. Pensa.
Lembrei! Não era o Kerouac, mas sim o Dylan: "E o homem do Tamborim que estava ali sentando com o chapéu a lhe esconder o rosto, atendeu ao meu pedido singelo: Uma música. Estar assim, sem direção para casa, me fazia sentir mais frio na lembrança de tempos atrás, quando a mesma junção de acordes me fazia chorar".
O Homem do Tamborim. É, esbarrou comigo por esses dias eu escrevi isso num pedaço de mim pra lembrar depois. Acabei me jogando no fundo da bolsa e não lembrei mais. Não até agorinha há pouco, quando estava trocando de bolsa – sabe que as vezes eu tenho dessas coisas de olhar cada continha de ingresso pro cinema que fica perdido nelas – e achei. Achei meio rasgadinho, mas achei. É estranho ver que o chapéu dele ainda levanta da mesma forma e os olhos ainda me observam com aquela mesma alma sorridente. Ainda peço para que toque outra música pra mim, pra ver se eu consigo me escutar no meio dessa insônia.

Saturday 12 November 2011

Vertigem em quatro letras.

Caio, mas não cai, não
ou Caio,
mas pra cima.
[talvez num balão de ar
quente em Olinda]

Caio, mas não cai, não
pelo menos por enquanto
pr'eu terminar de te recitar
aquele verso
interminado

Caio, com quatro letras
mas não pra baixo,
já disse
que teu nome
só cai pra cima

E, Caio, de novo
ao contrário, não é o mesmo
feito Anna
Caio é assim
côncavo e
convexo
[e sorri por ainda lembrar
o que é isso]

Caio, volta pra cidade-avião
e vê se volta também
pros braços da
filo
Sofia.
[que ela sente saudade]

E você sabe, Caio
que eu adoro falar teu nome
e repito isso
em todas as estrofes
pro poema ficar mais bonito

Caio, era pra ser segredo
meu,
mas te conto
que eu acho que sinto
mais saudade
que a Sofia.

Tuesday 8 November 2011

Quase síndrome de Peter Pan

Eu perguntei se você havia visto
de que cor o vento
escapara por entre as nuvens
E me respondeu: “que é isto?
Não se vê vento, somente os abutres
pairando no firmamento”

Acusou-me à criancice
de querer ver cor no ar
e proibiu-me (com dedo em riste!)
de tentá-lo pintar.
[É por isso que eu não consigo
Gostar um dedo de adultos.]

Mas sequer se preocupou
Pois o mundo é lugar infeliz
(em suas palavras cinzas)
Ele mesmo nunca poupou
Uma só criança (que faz de aprendiz)

Só vim te avisar que andei cansando
dessa falta de tinta
nos pedaços de mundo
que você não quer mais ver
E essa monotonia toda
me faz desejar uma pedra
no
meio
do
caminho.