Sunday, 18 December 2011

Dezenove infinitos

Era pra ter sido postado no dia sete, mas né.

Caio, se eu pudesse
te dava dezenove velas
mas não daquelas de por
em cima
do bolo
e sim das de caravela

E, Caio, pediria pro vento,
pra soprar com força
mas pra não
te deixar
cair
por algum dos cantos
do mundo

Porque você sabe, Caio
que você é
o Caio
que não cai
[pra baixo]

Por isso eu digo
Caio, mas não cai, não
mesmo depois de
uma
duas
três
vinte e nove
cervejas
que você bebe sem nem
ficar tonto
[e por isso as vezes caia pra cima
na hora
de comemorar]

Caio, esse poema tá assim
sem gosto de bolo
de chocolate
que você come
até fazer tua hipocondria
achar que vai ficar
diabético

Mas é que eu quero
que tenha gosto
de parabéns pra você
um daqueles sem
constragimento
pra você saber
o que fazer
quando eu cantar

E Caio,
tomara que não esquecam
que o "com quem será"
é comigo.

Sunday, 27 November 2011

Sobre os solavancos de uma escala.

Acaba de me escapar um pensamento que seria bom ser desenvolvido. Falava em sussurro o nome de um poeta. Seria Kerouac? Agora não lembro, mas a rima quebrada do nome dele desce cheia de cantos pela garganta. Quiçá eu recorde assim que deitar a cabeça no travesseiro, mas aí a preguiça já vai ter tomado as minhas juntas todas e eu não vou dar conta de fazer como ontem a noite, quando fiz questão de levantar para sorrir com Vinícius.
Para onde será que vão essas idéias que se desmancham no nosso pensamento? Será que caem em algum pedacinho de terra e, se a terra for boa, florescem? Será? E no terreno com espinhos, ela conseguiria brotar? Acho que não, decerto faria que nem a parábola mesmo e sufocaria. Mas que droga, eu detesto perder os pedacinhos de musica proseada que me correm à mente volta e meia. Tomara que quem achar os meus papéis não escritos lembre da minha idéia e coloque tinta na pena pra não esquecer mais.
Pensa. Pensa.
Lembrei! Não era o Kerouac, mas sim o Dylan: "E o homem do Tamborim que estava ali sentando com o chapéu a lhe esconder o rosto, atendeu ao meu pedido singelo: Uma música. Estar assim, sem direção para casa, me fazia sentir mais frio na lembrança de tempos atrás, quando a mesma junção de acordes me fazia chorar".
O Homem do Tamborim. É, esbarrou comigo por esses dias eu escrevi isso num pedaço de mim pra lembrar depois. Acabei me jogando no fundo da bolsa e não lembrei mais. Não até agorinha há pouco, quando estava trocando de bolsa – sabe que as vezes eu tenho dessas coisas de olhar cada continha de ingresso pro cinema que fica perdido nelas – e achei. Achei meio rasgadinho, mas achei. É estranho ver que o chapéu dele ainda levanta da mesma forma e os olhos ainda me observam com aquela mesma alma sorridente. Ainda peço para que toque outra música pra mim, pra ver se eu consigo me escutar no meio dessa insônia.

Saturday, 12 November 2011

Vertigem em quatro letras.

Caio, mas não cai, não
ou Caio,
mas pra cima.
[talvez num balão de ar
quente em Olinda]

Caio, mas não cai, não
pelo menos por enquanto
pr'eu terminar de te recitar
aquele verso
interminado

Caio, com quatro letras
mas não pra baixo,
já disse
que teu nome
só cai pra cima

E, Caio, de novo
ao contrário, não é o mesmo
feito Anna
Caio é assim
côncavo e
convexo
[e sorri por ainda lembrar
o que é isso]

Caio, volta pra cidade-avião
e vê se volta também
pros braços da
filo
Sofia.
[que ela sente saudade]

E você sabe, Caio
que eu adoro falar teu nome
e repito isso
em todas as estrofes
pro poema ficar mais bonito

Caio, era pra ser segredo
meu,
mas te conto
que eu acho que sinto
mais saudade
que a Sofia.

Tuesday, 8 November 2011

Quase síndrome de Peter Pan

Eu perguntei se você havia visto
de que cor o vento
escapara por entre as nuvens
E me respondeu: “que é isto?
Não se vê vento, somente os abutres
pairando no firmamento”

Acusou-me à criancice
de querer ver cor no ar
e proibiu-me (com dedo em riste!)
de tentá-lo pintar.
[É por isso que eu não consigo
Gostar um dedo de adultos.]

Mas sequer se preocupou
Pois o mundo é lugar infeliz
(em suas palavras cinzas)
Ele mesmo nunca poupou
Uma só criança (que faz de aprendiz)

Só vim te avisar que andei cansando
dessa falta de tinta
nos pedaços de mundo
que você não quer mais ver
E essa monotonia toda
me faz desejar uma pedra
no
meio
do
caminho.

Tuesday, 25 October 2011

Metalinguagem no paletó.

Eu sinto uma falta meio doente (tossindo)
do que eu costumava escrever(-me) em cadernos
e continua sorrindo o tempo, de terno
para minhas letras a lápis, sumindo
[Naquela folha sem pauta
no bolso]

É de terno, mas não arrumado
que anda Cronos, enciumado
por não poder competir com a poesia
que à minha cabeceira nascia
assim meio sem tom de rima
num passado que eu via de cima
(de nós dois na corda bamba)

E os versos que me sumiam à tarde
e que vinham acordar o sono curto
dos meus olhos (insones) de furto
de minha alma que não faz alarde.
[essa aí, quiçá,
que esqueceu
de saber gritar]

Talvez por isso essa minha mania
de se inventar em fazer poesia
usando um colchete e os parênteses
pra disfarçar as olheiras latentes
que não acharam, sozinhas, o verso
que nasceu ali tão só, disperso
[e que eu esqueci
de anotar.

Tuesday, 18 October 2011

Ao que poeta em tinta óleo

Pincela a figura amorfa
que se constrói na tela
e que aos poucos se torna
Da alma, a janela.

Dos dedos sujos de tinta
transborda a música ensaiada
pelo improviso das quintas
à tarde (de madrugada)

E paletas de tons tortos
se desfaziam em melodias
coloridas de navios
que atracavam nos portos
Em perfeita eufonia
- de luzes e de pavios
[que apesar de tudo
não explodiam
com fogo]

E eu sentada com receio
[lá no canto
de te acordar do devaneio
[ou do encanto

(mas eu quem estava dormindo, não?)

acabei te escrevendo um poema
versado em folha de alfazema

[cor de tinta de caneta.

Wednesday, 21 September 2011

Desembolar-me-ia, se pudesse.

Tenho achado complicado dizer qualquer coisa minha, aí prefiro olhar e dizer os outros “quem”, porque o que haveria eu de dizer sobre o que não me ocorre mais? Às vezes a gente não consegue se dar pros outros porque não tá tendo nem pra se manter de pé. Então, eu te digo, meu bem, que se eu me ausentar de ti, não é por nada, mas antes - e mil vezes mais – porque eu me ausentei de mim. Há tempos tenho tentando me encontrar, mas não sei mais como chamo esse punhado de sentimentos cansados que finge repousar. Só que sentem ainda. Latejam ainda e insistem em não dormir. Deixa eu por esse parágrafo no passado, porque me ocorreu súbita mudança.
Não é pôr-do-sol e nem noite. É aqui mesmo, no meio do dia, naquelas horas que a preguiça cobre a gente feito um edredom e a gente fica mole feito um lençol. Há qualquer coisa grudada no relógio de parede que faz o tempo se esforçar pra mexer os ponteiros. Talvez o calor – de dentro pra fora - que tira a disposição espontânea das badaladas. Ultimamente tenho me rimado n’um ritmo diferente, sem métrica bonita, feito decassílabos, mas irregular como o olhar que eu escondi embaixo do travesseiro.
Acho que entendi a mudança súbita da qual falei mais cedo: Voltei. Voltei tanto que meus copos quebraram e a minha tempestade virou mar e furacão ao mesmo tempo. Só agora eu notei que estava juntando uma camada espessa de poeira sobre a minha caneta. Mas então, me puxei de volta. Voltei àquele estado de palpitação constante, de exaltação e de mim mesma.
As horas ainda tardam, mas estou até aproveitando essa agonia que me enche o estômago de nós. De... nós. Dois? Talvez. Eu nunca fui muito boa com matemática, principalmente quando eu não acho o que contar. Não que seja zero, mas é infinito demais – seja lá o que for – pra eu pensar na possibilidade de me arriscar a dizer. Quantos? Dois. Mas se forem cubo de açúcar fica doce demais. Muito doce pra pouco eu. Então é melhor dividir.

Thursday, 8 September 2011

Ao que não precisa de guilhotina.

Acróstico antigo, bem antigo mesmo.


Vertia letras como quem desfaz-se em hemorragia
Inconstante, às vezes estancava
Corria em surto literário
Trombava volta e meia com o gordo estagiário
Ostentado a posição de chefe mal
Remunerado.

Procrastinava entre garrafas de cerveja
Internamente, dava gargalhas - que expunha
Conforme a porcentagem de álcool enseja
Contudo, sabia controlar-se e centrava-se
Atrás da mesa, com os pés esticados
Relendo os rascunhos mal acabados da
Tal menina que lhe escreve acrósticos.